Mostrando postagens com marcador Psicanalisando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicanalisando. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

À espera de um milagre



Não conseguir começar a tão necessária atividade física ...
Continuar a sair sempre com os homens errados ...
Amar mais aos outros do que a si mesmo ...
Não saber nunca a hora de fechar a boca ...
Nunca conseguir dar limites a seu filho quando chega exausto do trabalho ...
Não saber dizer não ...
Sempre se preocupar mais com os outros do que consigo próprio ...
Sempre ofender e desmerecer seu parceiro apesar de amá-lo ...
Sempre descontar a raiva nas pessoas mais queridas ...
Todo ano dizer que vai começar a yoga, o pilates ... mas nunca começar!
Não conseguir parar de fumar ou beber ...

Repetir padrões que só nos trazem infelicidade e tristeza!

Cada ser humano tem uma coleção de atitudes que ele pratica repetidamente, sem desejar!

Por que isso?
Não seríamos seres racionais e inteligentes?
Grande paradoxo esse!
Por que é tão difícil nos desfazermos de maus hábitos?

Por que,  já munidos do necessário conhecimento para tal, nos boicotamos e continuamos a fazer o que nos faz infelizes?


Li uma frase fantástica dias atrás: 

Cometer erros não é errado - cometa todos os erros de que for capaz. É desse jeito que você aprenderá mais. Só não cometa o mesmo erro mais de uma vez: isso faz de você um tolo1

Resumindo, somos tolos ambulantes vagando por aí, cheios de culpas e frustrações por não pararmos de cometer sempre os mesmos erros e não conseguirmos mudar nossos padrões de comportamento, tornando-nos assim, cada vez mais infelizes e impotentes!

Descobri um importante motivo pra isso acontecer.
Veja que interessante o que li recentemente:

A elaborada tapeçaria da nossa experiência não é estocada na memória - ao menos não em sua totalidade. Em vez disso, para ser comprimida para estocagem, ela é em primeiro lugar reduzida a alguns fios fundamentais, como uma frase que resume uma sensação (“o jantar foi frustrante”) ou um pequeno conjunto de características-chave (carne mal passada, vinho ruim, garçom ranzinza) 2

É por isso que sempre quando digo que não terei condições de ter outro filho pelos trancos e barrancos que passei com os primeiros 3 anos da maternidade de minha primeira e única filha, muitas amigas e conhecidas dizem "Que nada! Você vai ver: vai esquecer tudo o que passou e vai ter outro".

De fato, esquecemos os detalhes importantes da grande maioria das nossas experiências, como dito acima, principalmente as desagradáveis (nossa mente é uma verdadeira trapaceira!) o que nos torna mais suscetíveis a cometer o mesmo erro de novo!

Mais tarde, quando queremos nos lembrar da nossa experiência, o cérebro rapidamente “retece” a tapeçaria, fabricando - não através de um resgate de fato - o grosso das informações que experimentamos como memória. (...) Assim, quando criamos expectativas sobre eventos futuros, dependemos somente das distorções das nossas experiências passadas, das nossas falhas memórias. (...) Nossos cérebros literalmente mudam nossas lembranças em retrospecto, de modo a encaixar nossas presentes expectativas. (...) Essa enganosa cognição, baseada em errôneas recordações, nos faz perceber a realidade de forma equivocada e tomar decisões que não maximizam nossa felicidade2

Olha só que cérebro traiçoeiro!

Ou seja, mesmo que eu já tenha percebido que não adianta comprar aquele sapato maravilhoso só porque estou  meio deprê porque no fim das contas a deprê volta e eu me arrependo de ter gasto tal dinheiro , eu continuo fazendo isso.

Ou que não adianta tomar leite condensado toda vez que eu estiver  triste (essa é minha estratégia favorita!)  porque eu vou ficar muito feliz , mas apenas por meia hora!  Meu cérebro irá me fazer  focar naquela meia hora e não nos 20kg que eu engordei tomando essa atitude nos últimos 3 anos ...

Sacaram a enrascada na qual nossa mente nos coloca?

Treinar a mente para a concentração é muito difícil: ela se revolta e continua a recair em antigos hábitos. Você a segura novamente e ela escapa1

A psicanálise, porém, vem me ensinando que a melhor maneira de diminuir a repetição de atitudes que nos tornam tão infelizes (e frustrados) é aproveitar para fazer algo diferente e inusitado todas as vezes que a oportunidade aparecer!
Nossa mente vai se acostumando com os padrões (mesmo com os que não nos trazem benefícios, acredite!) e a tendência é que se torne preguiçosa (porque aquele padrão já é conhecido e familiar) nos influenciando a repetí-lo sempre.

Fazer algo diferente do que estamos acostumados dá um trabalhão pra mente!
Mas é isso que nos torna mais felizes ( e jovens!!!)

Veja quantas coisas diferentes e novas uma criança faz todos os dias ... Veja como sua pele é bonita e 
sua mente é livre de culpas ...

Voltemos ao sapato: se normalmente quando estou meio deprê vou ao shopping center e compro alguma coisa (que me fará  feliz por 3 dias, 1 dia ou quem sabe só 2 horinhas mesmo!), da próxima vez que este sentimento aparecer eu tenho que me esforçar para mudar o roteiro: por exemplo ligar para uma amiga e sugerir um cafezinho, dar uma passadinha na casa da sua mãe só pra dar um abraço ... algo inusitado, que você definitivamente não está acostumada a fazer quando aquele sentimento vem à tona e você sente que vai repetir um velho e péssimo padrão!

Se está difícil começar o pilates, há diversas academias e até personal trainers que oferecem uma aula experimental. Quando você dá a si próprio, por exemplo, o direito de fazer aquela aula (mesmo achando que não vai adiantar, é perda de tempo, você de novo, não vai começar o pilates ...), faça diferente. Experimente este algo novo! Você estará treinando sua mente para novas oportunidades ... e isso fará um bem enorme ao seu cérebro que ficará jovial, fresco e feliz com os novos neurônios que adquiriu!

Acreditem .... comecei a experimentar esta técnica recentemente. A primeira vez que mudei o roteiro de um hábito padrão (semana retrasada) a sensação foi indescrítível.
Tente, você vai gostar.

Me senti leve, livre e sem um peso enorme nos ombros.
E muito orgulhosa de mim mesma pois não repeti o velho e mau hábito. Fiz diferente!

E isso fez toda a diferença naquele dia!




Citações:

1 - Faça o seu coração vibrar - Osho - Ed. Sextante
Para saber mais sobre o controverso e polêmico líder espiritual indiano, acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rajneesh

2 - A ciência de ser feliz - Susan Andrews - Ed. Ágora
Saiba mais acessando: 



sexta-feira, 17 de junho de 2011

A cor do seu carro


A cor do seu carro

Você sabia que existem pesquisas que procuram estudar a relação entre a cor de seu carro e sua personalidade?

Parece que quando escolhemos a cor de nosso carro esta escolha não é aleatória. Somos atraídos pela cor que melhor reflete nossas emoções e nosso jeito de agir. A partir daí, o nosso jeito de conduzir o veículo também sofrerá influência desta escolha.

Agora vamos fazer um teste:

1)    Pense na cor que você mais gosta
2)    Pense na 2ª cor que você mais gosta
3)    Pense na cor que você menos gosta

Para Elaine Marini, pesquisadora de cromoterapia (terapia das cores) e autora do livro Cromoterapia – Dicas e Orientações de como as cores podem mudar sua vida (Editora Nova Era – Record)


“As cores influenciam na personalidade de acordo com a preferência. A primeira cor de preferência de uma pessoa refere-se aos aspectos da personalidade real dela, ou seja, como ela se mostra para os outros. A segunda cor de preferência refere-se aos objetivos da vida, ou seja, o que se almeja da vida. A cor que a pessoa não gosta refere-se às frustrações da vida. Mas é importante destacar que as cores preferidas mudam de acordo com o momento emocional da pessoa” 

Depois de ler um pouco sobre o assunto e analisando as pessoas que conheço e as cores de seus carros, você sabe que eu acho que faz sentido?

Mas eu, por exemplo, só tive carros de cor prata na vida e gostaria muito que as afirmações da pesquisa para essa cor tivessem a ver comigo, como você verá a seguir.

Para a autora, nem precisa ser bom observador para notar a supremacia de carros de cores preta e prata – e todas as suas nuanças. Isso significa que a maioria das pessoas tem personalidade muito parecida? Não, exatamente. Mas significa que essas pessoas têm, ao menos, uma característica determinante em comum: o conservadorismo, o desejo de manter uma tradição, de se evitar mudanças. No caso dessas cores, o aspecto principal a se manter é o da sobriedade. E de garantir a “venda fácil” do carro, pois há uma lenda estabelecida de que qualquer cor diferente daquelas pode dificultar a revenda.

Por esse motivo, as revendas preferem apostar no preto ou no prata e correr menos risco de ter carros encalhados no estoque – o que gera um círculo vicioso. O cliente vai à loja pensando em comprar um carro vermelho. O vendedor, no entanto, lhe informa que nessa cor não tem o produto para pronta-entrega e que o encomendará à fábrica. Logo, demorará a chegar. Mas se o cliente não quiser esperar, tem o mesmo carro na cor prata. E lá se vai mais um “monocromático”. A Fiat, por exemplo, oferece uma extensa lista de opção de cores para seus modelos – o Stilo tem 12. Mas quais dominam? De acordo com o pessoal da fábrica, 70 % dos Stilo são vendidos nas cores prata/preta. É louvável o fato de que a versão Schumacher, oferecido apenas em vermelho ou amarelo, represente 60 % das vendas entre as versões 16V. Talvez sinal de que “nem tudo está perdido”.

Agora, se sua preferência por esses tons vem do fundo do coração, conheça seu significado e o que ele diz sobre você:

Prata: o simbolismo do prata é bastante semelhante ao do Branco – tanto o lado positivo quanto o negativo. Está associado a verdade, beleza, integridade e pureza e também a monotonia e dispersão.

Preto: apesar de presença do preto nas roupas poder significar também uma personalidade anti-social, os que optam por carros dessa cor gostam de passar a imagem de sobriedade, responsabilidade e respeito às normas estabelecidas, além de autoridade e tradicionalismo. Geralmente, são pessoas que também gostam de parecer misteriosas e têm dificuldade de demonstrar o que sentem.

Mas fuçando na net eu descobri que um estudo da seguradora britânica Churchill Insurance revelou que carros pretos são os que mais se envolvem em acidentes, especialmente graves! Seus condutores, assim como os que preferem os carros vermelhos são os mais agressivos no trânsito.


Vermelho: motivação, persistência, vontade e paixão são algumas das características que definem essa cor. Ter escolhido um carro vermelho sugere que você tem iniciativa, disposição e energia para agir, resolver problemas, criar soluções e viver de forma intensa. Você gosta de chamar a atenção e parecer forte. Outro traço é a tendência de ser rancoroso, briguento e, às vezes, expressar-se com raiva ou agressividade.

Laranja:  coragem, desejo de aventura, criatividade, confiança e necessidade de transformações na vida estão na alma dos apaixonados por essa cor. Divertido e entusiasmado, os donos de carros de cor laranja costumam ser a companhia que todos querem por perto. Um carro com essa cor denuncia também uma tendência ao exibicionismo e desejo de controlar pessoas e situações.

Amarelo: otimismo, esperança e atração pelo conhecimento refletem o temperamento dos que optam pelo amarelo. Quando se vê um carro dessa cor, logo se imagina um motorista jovial, alegre, original e capaz de tomar decisões segundo suas próprias idéias. Tem de se ficar atento, porém, à propensão ao isolamento e ao comportamento vingativo. (Exceção para os táxis do Rio de Janeiro, que são amarelos).

Verde: calma, tranqüilidade e busca do equilíbrio traduzem os fãs do verde. É uma cor associada também à natureza e ao ambiente harmônico. Optar por esta cor pode denotar motoristas que se importam muito com a segurança, que preferem o anonimato e buscam a justiça. Por outro lado, o espírito livre e cooperativo tende, às vezes, a contrastar com a avareza, a indiferença e a estagnação, ou seja, pessoas que não dão ponto sem nó.

Azul: “eu quero paz!”. Este poderia ser o lema dos amantes do azul, que preferem a quietude, a tranqüilidade e são mais voltadas para a razão do que para a emoção. Desconfiar de que a vida é mais do que ela apresenta, ser reflexivo, sereno e leal são qualidades que também podem estar presentes no perfil desse motorista, os menos estressados do trânsito. Ter inclinação ao devaneio, à solidão e inação são posturas que estão do outro lado da balança.

Roxo: respeitar a si mesmo deve ser a principal virtude do motorista que opta por essa cor, além de dignidade, auto-estima e dons criativos. O roxo remete à prosperidade e à criatividade. Sendo a cor típica da realeza, sugere o gosto pelo nobre e pelo sublime. O lado negativo está no orgulho exagerado, na arrogância e em uma falsa concepção de superioridade sobre os demais.

Magenta: maturidade aliada à capacidade de amar são os potenciais dessa cor, que une também dedicação, comprometimento, capacidade de compreensão e habilidade para administrar quaisquer assuntos. Sensual e afetuoso, dificilmente um apaixonado por essa cor é do tipo que arruma confusão no trânsito. O aspecto negativo do magenta pode acarretar arrogância, desejo de monopolizar os outros e egoísmo.

Branco: clareza, verdade, pureza, paz e limpeza são alguns das qualidades que podem ser encontradas em quem compra um carro branco. Por captar a energia solar, o branco é vibrante e estimula os sentidos. Em seu aspecto negativo, pode representar inclinação à monotonia e à dispersão. Ao menos em São Paulo, o desejo de não ser confundido com um táxi certamente interfere na escolha por essa cor.

Marrom: estabilidade é a principal característica dessa cor. Associado à terra, o marrom pode simbolizar o desejo de construções sólidas, de bases firmes, enraizadas. Por ser o resultado do preto com o vermelho, o marrom abarca também características das duas cores: autoridade, motivação, comprometimento. Pessoas que preferem essa cor são dedicadas ao trabalho, aos amigos e à família, além de terem a capacidade de ir fundo em qualquer situação, de forma simples. No lado negativo, pode significar insegurança e instabilidade.

Dourado: o dourado está, historicamente, associado à realeza, à prosperidade. Como cor quente, favorece as emoções, o ardor, indicando um temperamento estimulante e excitante. As cores luminosas indicam também uma postura mais otimista frente à vida. O lado não tão glamoroso dessa escolha por ser a busca exagerada por status e a necessidade de provar superioridade.

E então, você concorda?








sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Patinho Feio



“Cada conto de fadas é um espelho mágico que reflete alguns aspectos de nosso mundo interior, e dos passos necessários para evoluirmos da imaturidade para a maturidade” (Bruno Bettelheim).

Uma das coisas mais interessantes que aprendi no curso de Psicopedagogia foi sobre os contos de fadas e sua relação com nossa infância e nossos conflitos.
E já que vamos falar de histórias e eu tenho lido muito a palavra “estória” por aí (inclusive em publicações bastante respeitadas) é necessário esclarecer que o uso da palavra “estória” foi abandonado há muitos, muitos anos atrás. Desde então só “história” está valendo.
Veja o que diz o Dicionário Aurélio no verbete “estória”:
estória
Substantivo feminino.
1. V. história. [Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções.]

Contos de fadas datam da era medieval e não se prestam só a entreter. Através das suas histórias fantásticas e de seus conflitos entre o bem e o mal os contos de fadas ajudam as crianças no processo de amadurecimento na medida em que as auxiliam na elaboração de suas próprias vidas. Seus personagens típicos (fadas, bruxas, gigantes, etc), são representações traçadas pela humanidade para simbolizar os nossos sentimentos mais profundos.

“Mitos e contos de fadas expressam processos inconscientes. A narração dos contos revitaliza esses processos e restabelece a simbiose entre consciente e inconsciente”  (Carl Gustav Jung)

Crescer é um grande conflito humano e um difícil processo e os contos de fadas parecem ajudar as crianças em sua evolução para a fase adulta pois “a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida” preconiza  Bruno Bettelheim, reconhecido estudioso do assunto.
Me lembro vividamente que eu aprendi a ter compaixão com O Patinho Feio. Minha irmã me comprou este livro e o lia para mim com freqüência. Eu ficava extasiada ao ouvir a história, lembro-me até hoje das sensações. Eu queria tanto poder pegar aquele patinho no colo, fazer um carinho e dizer “Não tenha medo. Tudo vai ficar bem!”.
Fiquei muito emocionada quando alguns meses atrás recebo a visita de minha irmã aqui em casa e ela chegou com uns livros na mão para dar a minha filha. Estavam velhos, amarelados e cheios de pó. E lá no meio  deles não  estava o meu tão adorado O Patinho Feio da minha infância mas alguns outros da mesma coleção (ela os havia surrupiado para compartilhá-los com meu sobrinho Léo, hoje com 21 anos!). Que emoção rever aquelas páginas ... era uma coleção de livros grandes com lindas ilustrações.
Os estudos da Psicanálise revelaram aspectos bastante interessantes, e eu diria intrigantes, sobre nosso conto de fadas preferido, aquele que os nossos pais (irmãos, tios e por aí vai) não aguentavam mais nos contar de tanto que pedíamos “de novo!”. Esta escolha revelaria nosso estilo e  personalidade.
Vamos a uma breve interpretação.
Aqueles que tinham Os Três Porquinhos como sua história preferida, eram crianças vivendo o conflito entre o Id, o Ego e o Superego, ou seja, o que eu tenho vontade de fazer, o que minha consciência diz que devo fazer e o que querem que eu faça.
As meninas que tinham os contos Branca de Neve e/ou Cinderela (Gata Borralheira) como preferidos pode-se dizer que apresentavam um conflito materno marcado pela falta de interesse de suas mães, por rivalidade fraterna e complexo edípico. Através do  conflito bruxa (madrasta)-mãe boa, vemos que a bruxa é a parte da mãe que lhe faz exigências ou representa uma ameaça, e a mãe boa é aquela que satisfaz os seus desejos a todo instante e lhe oferece conforto e proteção.
João e Maria deleita as crianças que amam comer doces, adoram agradar seus pais e não querem encarar a idéia de que precisam amadurecer e ser independentes. Muito semelhante aos fãs de João e o Pé de Feijão, conto preferido dos meninos que vivem de agradar suas mães, para eles o único meio de serem amados.
Peter Pan é a história das crianças que não querem crescer e tem medo de encarar a realidade (não por acaso o conto favorito de Michael Jackson).
A Pequena Vendedora de Fósforos é o conto das crianças que se sentiam excluídas e desamparadas e Rapunzel é o conto preferido das que sofrem com pais castradores, super protetores e ciumentos.
As crianças que preferiam A Guardadora de Gansos buscavam desesperadamente por autonomia.
A Bela e a Fera é o conto do verdadeiro amor. As meninas que apreciam este conto desejam ter forte ligação com o pai e estão tentando superar suas dificuldades edípicas. Elas desejam que eles ajudem em sua independência e as protejam de seus medos, auxiliando-as na passagem para a vida adulta.
Chapeuzinho Vermelho encanta as meninas lidando e tentando solucionar o complexo de Édipo porque não temem crescer.

Cachinhos de ouro e os três ursos marca as crianças que estão confusas em relação a si mesmas e buscam uma identidade e saber o que representam em relação as pessoas importantes de sua vida.
As adolescentes ou púberes que estão passando por grandes mudanças físicas e emocionais se encantam com A Bela Adormecida. Estão abandonando a segurança da infância, aprendendo a enfrentar os perigos desta passagem para enfim se descobrirem mais amadurecidas.

" ‘A Bela Adormecida’ tem, de várias maneiras, uma mensagem importante para a nossa juventude atual, mais importante do que muitos outros contos. Atualmente muitos jovens - e seus pais temem o crescimento calmo, onde parece não acontecer nada, devido a uma crença comum de que só se fazendo coisas pode-se atingir os objetivos. ‘A Bela Adormecida’ diz que um período longo de calma, de contemplação, concentração sobre o eu, pode levar e seguidamente leva às maiores realizações.” (Bettelheim)




Estas são apenas breves considerações sobre a relação que o nosso conto de fadas preferido tem com nossa infância. Quem quiser se aprofundar deve ler “A Psicanálise dos Contos de Fadas” do austríaco-americano Bruno Bettelheim, da editora Paz e Terra.
 
Há cerca de um mês comprei um livro lançado recentemente chamado Contos de Fadas da Editora Zahar (pode ser encontrado até em supermercados) onde as histórias são apresentadas em sua versão original, sem adaptações. Fiquei perplexa com os detalhes sórdidos de Branca de Neve e o fim surpreendente de Cinderela (fiquei de queixo caído com o que ela faz com as irmãs no final).
Ficou curioso, né? Então compre o livrinho que vale a distração.



Ah sim,  já ia me esquecendo, o que O Patinho Feio tem a ver comigo? Bem, segundo uma visão Psicanalítica, as crianças que tem esse conto como seu preferido sentem-se um “peixinho fora d’água” e necessidade de serem aceitas.


“Invariavelmente, qualquer conto de fada segue um enredo no qual o herói abandona a casa de seus pais, passa por diversas privações (seja na floresta escura, na casa de doces da bruxa, no castelo mal-assombrado) e então, como Fênix, renasce das cinzas, glorioso e triunfante, e vive ‘feliz para sempre’. (...) A criança nasce protegida pela família (equivalente à casa paterna dos contos), e vive nesse meio até alcançar a maturidade. Quando já está madura o suficiente, também é obrigada a deixar a segurança do lar para alcançar outros mundos: começa a frequentar a escola, a fazer amigos fora de casa e a ter de resolver seus conflitos com eles. É esse processo que fará dela um adulto autônomo e independente. Os contos asseguram à criança que, por mais que ela possa ter problemas (notas baixas na escola, ser desajeitado no jogo de futebol, perder um grande amigo, enfrentar o divórcio dos pais, etc.) será capaz de atravessar a ‘floresta escura’ e superá-los, como o herói dos contos.”  (Taicy de Ávila Figueiredo)




Leia também:

A Paicanálise na Terra do nunca - Mario Corso & Diana Corso

Fadas no Divã -  Mario Corso & Diana Corso



myfreecopyright.com registered & protected