“Cada conto de fadas é um espelho mágico que reflete alguns aspectos de nosso mundo interior, e dos passos necessários para evoluirmos da imaturidade para a maturidade” (Bruno Bettelheim).
Uma das coisas mais interessantes que aprendi no curso de Psicopedagogia foi sobre os contos de fadas e sua relação com nossa infância e nossos conflitos.
E já que vamos falar de histórias e eu tenho lido muito a palavra “estória” por aí (inclusive em publicações bastante respeitadas) é necessário esclarecer que o uso da palavra “estória” foi abandonado há muitos, muitos anos atrás. Desde então só “história” está valendo.
Veja o que diz o Dicionário Aurélio no verbete “estória”:
estória Substantivo feminino. 1. V. história. [Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções.]
Contos de fadas datam da era medieval e não se prestam só a entreter. Através das suas histórias fantásticas e de seus conflitos entre o bem e o mal os contos de fadas ajudam as crianças no processo de amadurecimento na medida em que as auxiliam na elaboração de suas próprias vidas. Seus personagens típicos (fadas, bruxas, gigantes, etc), são representações traçadas pela humanidade para simbolizar os nossos sentimentos mais profundos.
“Mitos e contos de fadas expressam processos inconscientes. A narração dos contos revitaliza esses processos e restabelece a simbiose entre consciente e inconsciente” (Carl Gustav Jung)
Crescer é um grande conflito humano e um difícil processo e os contos de fadas parecem ajudar as crianças em sua evolução para a fase adulta pois “a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida” preconiza Bruno Bettelheim, reconhecido estudioso do assunto.
Me lembro vividamente que eu aprendi a ter compaixão com O Patinho Feio. Minha irmã me comprou este livro e o lia para mim com freqüência. Eu ficava extasiada ao ouvir a história, lembro-me até hoje das sensações. Eu queria tanto poder pegar aquele patinho no colo, fazer um carinho e dizer “Não tenha medo. Tudo vai ficar bem!”.
Fiquei muito emocionada quando alguns meses atrás recebo a visita de minha irmã aqui em casa e ela chegou com uns livros na mão para dar a minha filha. Estavam velhos, amarelados e cheios de pó. E lá no meio deles não estava o meu tão adorado O Patinho Feio da minha infância mas alguns outros da mesma coleção (ela os havia surrupiado para compartilhá-los com meu sobrinho Léo, hoje com 21 anos!). Que emoção rever aquelas páginas ... era uma coleção de livros grandes com lindas ilustrações.
Os estudos da Psicanálise revelaram aspectos bastante interessantes, e eu diria intrigantes, sobre nosso conto de fadas preferido, aquele que os nossos pais (irmãos, tios e por aí vai) não aguentavam mais nos contar de tanto que pedíamos “de novo!”. Esta escolha revelaria nosso estilo e personalidade.
Vamos a uma breve interpretação.
Aqueles que tinham Os Três Porquinhos como sua história preferida, eram crianças vivendo o conflito entre o Id, o Ego e o Superego, ou seja, o que eu tenho vontade de fazer, o que minha consciência diz que devo fazer e o que querem que eu faça.
As meninas que tinham os contos Branca de Neve e/ou Cinderela (Gata Borralheira) como preferidos pode-se dizer que apresentavam um conflito materno marcado pela falta de interesse de suas mães, por rivalidade fraterna e complexo edípico. Através do conflito bruxa (madrasta)-mãe boa, vemos que a bruxa é a parte da mãe que lhe faz exigências ou representa uma ameaça, e a mãe boa é aquela que satisfaz os seus desejos a todo instante e lhe oferece conforto e proteção.
João e Maria deleita as crianças que amam comer doces, adoram agradar seus pais e não querem encarar a idéia de que precisam amadurecer e ser independentes. Muito semelhante aos fãs de João e o Pé de Feijão, conto preferido dos meninos que vivem de agradar suas mães, para eles o único meio de serem amados.
Peter Pan é a história das crianças que não querem crescer e tem medo de encarar a realidade (não por acaso o conto favorito de Michael Jackson).
A Pequena Vendedora de Fósforos é o conto das crianças que se sentiam excluídas e desamparadas e Rapunzel é o conto preferido das que sofrem com pais castradores, super protetores e ciumentos.
As crianças que preferiam A Guardadora de Gansos buscavam desesperadamente por autonomia.
A Bela e a Fera é o conto do verdadeiro amor. As meninas que apreciam este conto desejam ter forte ligação com o pai e estão tentando superar suas dificuldades edípicas. Elas desejam que eles ajudem em sua independência e as protejam de seus medos, auxiliando-as na passagem para a vida adulta.
Chapeuzinho Vermelho encanta as meninas lidando e tentando solucionar o complexo de Édipo porque não temem crescer.
Cachinhos de ouro e os três ursos marca as crianças que estão confusas em relação a si mesmas e buscam uma identidade e saber o que representam em relação as pessoas importantes de sua vida.
As adolescentes ou púberes que estão passando por grandes mudanças físicas e emocionais se encantam com A Bela Adormecida. Estão abandonando a segurança da infância, aprendendo a enfrentar os perigos desta passagem para enfim se descobrirem mais amadurecidas.
" ‘A Bela Adormecida’ tem, de várias maneiras, uma mensagem importante para a nossa juventude atual, mais importante do que muitos outros contos. Atualmente muitos jovens - e seus pais temem o crescimento calmo, onde parece não acontecer nada, devido a uma crença comum de que só se fazendo coisas pode-se atingir os objetivos. ‘A Bela Adormecida’ diz que um período longo de calma, de contemplação, concentração sobre o eu, pode levar e seguidamente leva às maiores realizações.” (Bettelheim)
Estas são apenas breves considerações sobre a relação que o nosso conto de fadas preferido tem com nossa infância. Quem quiser se aprofundar deve ler “A Psicanálise dos Contos de Fadas” do austríaco-americano Bruno Bettelheim, da editora Paz e Terra.
Há cerca de um mês comprei um livro lançado recentemente chamado Contos de Fadas da Editora Zahar (pode ser encontrado até em supermercados) onde as histórias são apresentadas em sua versão original, sem adaptações. Fiquei perplexa com os detalhes sórdidos de Branca de Neve e o fim surpreendente de Cinderela (fiquei de queixo caído com o que ela faz com as irmãs no final).
Ficou curioso, né? Então compre o livrinho que vale a distração.
Ah sim, já ia me esquecendo, o que O Patinho Feiotem a ver comigo? Bem, segundo uma visão Psicanalítica, as crianças que tem esse conto como seu preferido sentem-se um “peixinho fora d’água” e necessidade de serem aceitas.
“Invariavelmente, qualquer conto de fada segue um enredo no qual o herói abandona a casa de seus pais, passa por diversas privações (seja na floresta escura, na casa de doces da bruxa, no castelo mal-assombrado) e então, como Fênix, renasce das cinzas, glorioso e triunfante, e vive ‘feliz para sempre’. (...) A criança nasce protegida pela família (equivalente à casa paterna dos contos), e vive nesse meio até alcançar a maturidade. Quando já está madura o suficiente, também é obrigada a deixar a segurança do lar para alcançar outros mundos: começa a frequentar a escola, a fazer amigos fora de casa e a ter de resolver seus conflitos com eles. É esse processo que fará dela um adulto autônomo e independente. Os contos asseguram à criança que, por mais que ela possa ter problemas (notas baixas na escola, ser desajeitado no jogo de futebol, perder um grande amigo, enfrentar o divórcio dos pais, etc.) será capaz de atravessar a ‘floresta escura’ e superá-los, como o herói dos contos.” (Taicy de Ávila Figueiredo)
Leia também:
A Paicanálise na Terra do nunca - Mario Corso & Diana Corso
Ainda na sessão “confissões” (leia aqui mais confissões) eu preciso dizer que, a contragosto dos biólogos da minha família, eu mato insetos!
Logo nos primeiros anos do ensino fundamental eu já conjugava o verbo gostar assim:
Nunca gostei de insetos, não gosto, não gostarei!
E ponto final.
Não, ainda não ... deixe que eu continue.
Os meus atos homicidas contra insetos por vezes fazem com que eu me sinta culpada e com o “carrapato atrás da orelha” (me recuso a dizer “pulga atrás da orelha” porque trata-se de um inseto): Irei para o céu? Deus gosta de insetos ou foi mesmo Lúcifer quem os criou, como sempre teorizei?
Não bastasse meu ódio mortal por baratas, pernilongos, moscas, cupins, piolhos e pulgas eu descobri há alguns anos que as formigas, as quais, em um ato de misericórdia, eu sempre deixei vivas são, na verdade, tão ou mais nojentas que baratas! Seu poder de transmitir doenças é incrível. Aqui em casa agora não fica uma formiguinha viva caso eu a localize. Tenho orgulho em dizer que não há formigas em minha casa (pena não poder dizer o mesmo da cozinha da minha mãe onde elas imperam absolutas há anos!).
Eu acho que são os insetos os culpados por eu detestar o verão (Vivaldi e o Humor).
Assistir ao filme “Vida de Inseto” (A Bug’s Life) foi um horror. Um horror porque o filme é tão bonitinho que eu chorei, me senti péssima e quase me converti. Mas bastou uma noite mal dormida por causa de um safado pernilongo e uma tentativa de agressão da parte de um covarde marimbondo contra a minha inocente filhinha alguns dias depois, para o filme ser terminantemente proibido aqui em casa! A fábula “A cigarra e a formiga” aqui em casa? Nem pensar!
Logo cedo ensinei a Isabela a não mexer com insetos e sim a matá-los.
“Vai lá filha, pega o chinelinho e mata ele!”
Assim, sem dó nem piedade!
E minha irmã fica H-O-R-R-O-R-I-Z-A-D-A! É assim mesmo, com maiúscula e espaçamento que ela fica. Eu respeito os defensores de animais (apesar de achar que chamar os insetos de animais é um verdadeiro insulto, fazer o quê?), mas não dá, está além das minhas forças e do meu bom senso.
Também não sou tão má assim, eu tento não matar as borboletas (as coloridas), as abelhas que produzem mel, as joaninhas (e a maioria dos outros besouros também não), libélulas, gafanhotos, cigarras e grilos. Meu pai me ensinou a gostar dos grilos! Só por isso.
Mas todo esse lero-lero pra dizer que na semana passada eis que leio uma nota da Folha de São Paulo que falava sobre uma tal mostra chamada “Planeta Inseto” (ver texto da Folha abaixo) e fiquei muito surpresa em pensar que um negócio desses poderia ter público. Quem vai querer sair de casa pra ver insetos? E precisa? Quem vai querer pagar por isso?
A-ha! Descobri que a tal mostra é gratuita (claro!).
Fiquei tão surpresa com o tema da mostra que não aguentei, precisei escrever este texto para expressar minha indignação. E o pior, a tal mostra pretende comprovar porque estes bichinhos são tão importantes. Se alguém for e descobrir, que me faça o favor de contar o porquê.
E fim!
Agora sim.
18/03/2011 - Da Folha Online
Mostra "Planeta Inseto" conta por que esses bichinhos são importantes
Você acha que os insetos não servem para nada? Pois está muito enganado. Ao menos é o que diz a exposição "Planeta Inseto", do Museu do Instituto Biológico, em São Paulo. Focada nesses pequenos seres, a mostra é um bom programa para curtir o fim de semana.
"Planeta Inseto" conta, de um jeito interativo, como é a vida desses bichinhos. Mostra, por exemplo, que eles podem ser importantes para a nossa vida, como é o caso da abelha, que produz mel. Por outro lado, também fala das "pragas urbanas", que é como são chamados os insetos que podem transmitir doenças.
Para completar, tem microscópio para ver de perto alguns bichinhos, jogos e curiosidades --você sabia, por exemplo, que alguns povos comem insetos?
PARA CONFERIR
Exposição "Planeta Inseto" Quando: Ter. a dom., das 9h às 17h até o fim de 2011 Onde: Museu do Instituto Biológico (R. Amâncio de Carvalho, 546; tel.: 2613-9500/ 9400) Quanto: grátis
Quando começaram a me chamar de “senhora” e “dona Adriana” há cinco anos (e eu só tenho 35!!!!!) eu, que sempre fui abençoada por me acharem mais nova do que eu realmente era, confesso, fiquei muito assustada!
Tá certo que o Brasil é um país muito jovem e que quando eu tinha 13 anos achava as de 26 velhas e vá lá que a maternidade e as preocupações que advém dela tenham trazido rugas extras mas “senhora”?. Aí já é demais! Gordinha do jeito que estou e de cabelo curtinho que são dois elementos que fazem você parecer mais jovem (anote aí!), não é possível que estejam me achando com cara de velha!
Aliás, na atualidade, este termo “velho” foi abolido, já perceberam? Não é politicamente correto chamar um velho de velho, você tem que dizer que ele está na terceira idade, na melhor idade, idoso vá lá, mas velho? Que falta de educação a sua! E eu fico me policiando o tempo todo para não lançar mão desta palavra ... que estresse! Quando eu era criança adorava dizer “velha coroca” quando dava na telha. Sou presa se fizer isso hoje.
Já notei que as únicas pessoas que não se referem a mim como “dona” ou “senhora” é o tal pessoal da terceira idade (quarta, quinta ...). Estes me chamam de moça, mocinha, querida ...
E o pior são as informações que eu tenho atraído:
“Xiii, cê não sabe de nada, depois dos 35 emagrecer é quase impossível!”
“Daqui a pouquinho (daqui a pouquinho???), quando você entrar na casa dos 40 vai ter que comprar óculos. Ler bula, nunca mais a olho nu!”
“Logo logo vai ter que tingir o cabelo, você vai ver!” (eu já tinjo, desde os 15! respondo)
“Ah, minha filha... depois dos 45 tudo no corpo fica mole, sem viço ... nem ginástica resolve mais”
Eu achei que o medo de envelhecer nunca fosse me atingir, nunca tive medo da passagem para o lado de lá (o das donas, você sabe!) mas na nossa sociedade, bombardeada de informações sobre como não envelhecer, o ato (de bravura) de não envelhecer se torna tão importante que até eu, que nunca dei bola pra isso, começo a ficar temerosa ...
Conheço algumas donas que usam all-star (essa foi pra vocês duas! Vocês sabem quem! Ah ah ah), outras que usam mini-saias (e colocam orgulhosas as pernas de fora no Orkut), outras que mentem a idade, que usam muito brilho e maquiagem, que vão a baladas com as filhas de 12 anos (pior: vestidas como elas!), que usam cabelão igual a da super BÜNDCHEN, ou seja, fazem qualquer coisa que possa ajudá-las a se sentirem moçoilas ...
Mas cá com meus botões, estou pensando que se este temor não passar,
eu tenho certeza de que em 10 anos, eu hei de fazer o mesmo que elas!
Os primeiros meses deste ano realmente me deixaram muito irritada. Que calor insuportável! Detesto ficar suando aos cântaros! Não dá vontade de fazer nada ... a não ser ficar prostrada em frente a um bom ventilador.
E pra dormir? Mesmo quem tem ar condicionado no quarto reclama que a cabeça fica atordoada e o ouvido zunindo pela manhã, afinal, a maioria deles ainda é muito barulhenta.
Que inveja da minha filha ... correu todos esses meses só de calcinha pela casa e pelo quintal. Nessas horas, eu queria ter 3 anos de novo só pra poder fazer igual! E os homens, que podem desfilar por aí só de shorts, sem camiseta?
A luz do dia ou a falta dela parece que pode influenciar o estado de espírito das pessoas. No verão, tenho a impressão de que há mais bom humor no ar (diferentemente do que acontece comigo, diga-se de passagem) e no inverno, as pessoas ficam mais introspectivas. Você sente o mesmo?
Pesquisando sobre o assunto eu obtive algumas informações interessantes a respeito da influência do clima em nosso humor.
A exposição ao sol estimula a produção de serotonina, o hormônio do bem-estar e da felicidade , e porque no verão há mais luminosidade e os dias são mais longos as pessoas sentem-se mais dispostas a sair e interagir . Em contrapartida, o inverno nos remete ao recolhimento.
O inverno e o outono, por apresentarem dias mais frios e mais curtos, fazem com que as pessoas fiquem mais introspectivas e convidam à reflexão. Mas cuidado, o isolamento e o afastamento do convívio social podem trazer depressão.
A Inglaterra, por exemplo, é conhecida por, em boa parte do ano, apresentar clima frio e nebuloso. Será que é por isso que os ingleses são tão deprimidos e a taxa de suicídio entre eles (especialmente jovens) é tão alta? Parece que sim. Neste mesmo país, por conta disso, os órgãos públicos nos últimos anos tem os incentivado a saírem às ruas e continuarem suas atividades rotineiras mesmo com frio e neve.
Nos meses mais frios é possível aumentar a disposição e o bom humor, através de uma alimentação rica em vegetais e grãos integrais. Chocolates e pães também são bem-vindos pois aumentam os níveis de serotonina. (Graças a Deus! Que venham os pães deliciosos e quentinhos da padaria, com muita manteiga!)
No entanto, parece que o que pode garantir bom humor o ano todo é a pratica regular de atividade física, pois ela auxilia na produção de endorfina, que ajuda a relaxar e dá prazer, despertando o bem-estar.
O mês do ano mais esperado por mim é Setembro.
Eu amo a primavera!
Apesar de ser o mês em que eu mais espirro (trata-se da estação onde há mais pólen no ar) é o início da época mais deliciosa para mim. Quando entramos no mês de Setembro, eu começo a ouvir Vivaldi, ele toca bem dentro da minha cabeça ... fico cantarolando o dia todo.
A minha vontade era de não ligar para o ridículo da situação e sair rodopiando por aí com uma saia de bailarina e flores na cabeça. Já que não posso fazer isso, pois apesar de não haver mais manicômios, eles foram substituídos por “hospitais psiquiátrios” (e eu realmente não gostaria de conhecer um) eu ponho a minha filha para realizar tal intento.
E me realizo ao vê-la dando voltas e tentando fazer “pliês” pela casa.
Eu estava pensando sobre o que seria meu texto desta semana e, apesar de inúmeras ideias surgirem, eu optei por escrever sobre aquilo que foi “minha praia” por 15 anos: o ensino e o aprendizado de uma língua estrangeira. Afinal, estamos no começo do ano e muita gente está saindo às ruas, procurando uma escola de línguas para se matricular ou matricular seus filhos.
Eu comecei a aprender Inglês na década de 80, aos 13 anos. Na época, uma idade ideal para começar. Hoje em dia os estudos mostram que quanto mais cedo, melhor. Me lembro que estudei com livros importados pois ainda não havia livros de qualidade do ensino de Inglês escritos por brasileiros para brasileiros, como há tantos hoje no mercado!
Tenho orgulho em dizer que 4 anos depois de ter iniciado meus estudos e sem nunca ter feito nenhum curso no exterior eu já falava Inglês fluentemente. Uma coisa que muita gente confunde é o que significa falar fluentemente uma língua.
Citando o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa:
fluente
1. Que corre com facilidade; corrente, fluido;
2. Fig. Natural: abundante, fácil, espontâneo;
Você fala fluentemente uma língua quando é capaz de se comunicar, nas mais variadas situações, nessa língua, mesmo que cometa alguns erros de pronúncia e de gramática ou que lhe faltem determinadas palavras ao se expressar. Ainda assim, seu interlocutor será capaz de compreendê-lo.
proficiente
1. Que tem perfeito conhecimento; competente, capaz, hábil, destro.
Você é proficiente em uma língua estrangeira quando tem domínio de fala e escrita e raramente, muito raramente comete erros. Mesmo sendo proficiente, pode ter sotaque, o que normalmente acontece, a menos que moremos em um país estrangeiro por pelo menos 1 ano.
Há inúmeros certificados de língua estrangeira hoje em dia. Alguns deles testarão sua fluência, outros sua proficiência e alguns testarão até seu nível exato de conhecimento, seja ele básico, intermediário ou avançado. O mais importante é que o teste seja validado por uma universidade estrangeira de renome e que a escola que o esteja oferecendo seja oficialmente um centro examinador daquela universidade.
Outra coisa que muitos alunos sempre me perguntaram ao longo da minha carreira é se há uma idade ideal para começar. Eu acredito que a partir dos 3 anos de idade, na escola regular, na educação infantil mesmo, a criança pode começar a ter contato com a língua através de atividades simples e lúdicas que possam, mais do que tudo, criar interesse e gosto pela língua estrangeira. Mas nunca é tarde para se começar nada nessa vida, embora quanto mais tarde, mais difícil será se comprometer com um curso de qualidade, que levará alguns anos.
E não se iludam aqueles que pensam que colocarão seu filho de 7 anos em uma escola de línguas particular e pensam que em 4 anos (como aconteceu comigo) ele falará a língua fluentemente pois é necessário conhecimento de mundo para poder falar bem uma língua estrangeira, quero dizer, quanto mais conhecimento e experiência de vida você tiver, mais fácil e mais rápido você aprenderá uma língua estrangeira. Uma criança de 11 anos ainda não possui, muitas vezes, sequer maturidade para se expressar em seu próprio idioma. É por isso que comigo deu certo iniciar meus estudos aos 13. Porém, se eu tivesse começado aos 7, quando me formei aos 17, eu estaria falando muito, muito melhor ... por isso, aconselho aos pais colocarem seus filhos em uma escola de línguas desde cedo. E não terem pressa! A criança só vai começar a se comunicar mesmo quando tiver maturidade para desenvolver suas habilidades sociais.
Fluência leva tempo! E é por isso que escolas que prometem uma aprendizagem rápida funcionam apenas para que a pessoa tenha uma noção básica (no máximo intermediária) do idioma. Se comunicar em outra língua, repito, leva tempo e vai depender, como disse anteriormente, da experiência e conhecimento de mundo da pessoa, de sua cultura (quanto maior o conhecimento cultural, mais fácil), das horas que ela tem para se dedicar ao estudo fora da sala de aula e de sua persistência em não interromper o curso.
Quando acontece uma crise econômica, a primeira coisa que o brasileiro pensa que pode retirar de sua vida para poupar dinheiro é lazer e cursos extras, como o de línguas! Uma besteira das grandes pois quando você para um curso de línguas sem concluí-lo, todo o investimento feito, será perdido. E o retrocesso é grande. Quando não se está em contato frequente com a língua estrangeira, perde-se muito rápido o que já havia sido adquirido. Uma pena!
Se tiver de optar entre 2 aulas semanais de uma hora, por exemplo, ou 1 vez por semana com uma aula de 2 horas, sempre dê preferência a primeira opção pois está comprovado que depois de 50 minutos de uma aula, a nossa atenção diminui drasticamente (se for criança, depois de 30 minutos). Além disso, você estará em contato com a língua mais vezes por semana.
Procure perceber se o método com o qual você estudará está de acordo com suas necessidades. Eis um resumo dos métodos ou abordagens mais comuns e seus objetivos:
Método Gramática-Tradução: a segunda língua é ensinada tendo como base a língua mãe, por isso o professor pode usar o Português em sala de aula; trabalha-se com memorização de palavras e exercícios intensivos de gramática; não há muito espaço para a fala pois usa-se muito a escrita e não é dada muita ênfase à pronúncia; o professor é o centro da aula, que é bastante expositiva;
Método Audio-Lingual: é dada muita ênfase à fala e à pronúncia e pouca à escrita; normalmente os alunos passam boa parte da aula (muitas vezes em um laboratório, usando fones de ouvidos) escutando e repetindo palavras e frases; aqui o aluno não aprende errando, seu erro não é considerado como gancho para a aprendizagem; aprendizagem intensiva através de repetições; o aluno deve primeiro ouvir, depois falar, e então ler, para finalmente escrever na língua alvo; o centro da aula são as repetições ou drills.
Abordagem Comunicativa: a aula é centrada no aluno, este deve atuar mais do que o professor em sala de aula; aula baseada em práticas orais de situações do dia-a-dia; erros são bem vindos e aprende-se muito com eles; a gramática será estudada como uma ferramenta auxiliar da fala, e não será o centro das atenções; em sala de aula apenas a língua alvo deve ser usada, mesmo em estágios iniciais; ênfase em dramatizações e trabalhos em grupo.
Mas o mais importante é a escolha da escola. Veja o que uma boa escola de línguas deve ter e como devem ser seus professores:
- cada grupo não deve ter mais do que 10 alunos por sala;
- a escola deve ter uma estrutura que permita ao aluno explorar a língua, além da sala de aula: biblioteca, computadores, filmes e atividades culturais que envolvam o idioma são desejáveis;
- um curso de línguas completo deve oferecer uma carga horária igual ou superior a 400 horas/aula;
- o professor deve ter liberdade de usar materiais diversos em sala de aula, e não só o material didático obrigatório;
- seus professores devem ter certificação internacional comprovada e, de preferência, vivência no exterior e serem da área do ensino (preferencialmente formados em Letras), além de um bom conhecimento cultural da língua e seus falantes. Precisa ser descontraído, alegre, ter bom senso de humor, facilidade de relacionamento e sensibilidade para saber lidar com diferentes tipos de pessoas;
Creio que essas sejam as informações mais importantes.
Bom curso e se tiver qualquer dúvida, deixe seu comentário e eu o responderei.
A gula é sem dúvida, o mais comum dos 7 pecados capitais atualmente. Recém-lançado no Brasil, o livro Mulheres, Comida e Deus da autora norte-americana Geneen Roth (Editora Lua de Papel) aborda de maneira interessante, como nunca havia lido a respeito antes, a relação entre o que comemos e o que pensamos sobre nós mesmos, especialmente nós mulheres.
Para ela, a relação doentia com a comida, que hoje em dia atinge muitas pessoas, inclusive eu desde pequena, está ligada ao fato de em algum momento de nossa infância termos relacionado comida com amor e afeto.
Infelizmente, muitas mães só conseguem demonstrar carinho e amor pelos seus filhos no momento em que os amamentam o que criaria na criança esta associação. A vida agitada, a tripla jornada, o estresse ou até o desinteresse mesmo pelo filho, não importa o motivo, mas segundo a autora, se a criança não recebe amor, carinho e atenção em nenhuma outra parte de seu dia (ou pelo menos não naquela intensidade do ato de amamentar/alimentar) ela fatalmente terá tudo para ser um adulto viciado em comida.
E há de ser verdade pois quem é obcecado por comida, o é desde a infância. Eu não conheço ninguém que tenha se tornado viciado em comida aos 20 anos.
Eu achei isso tão verdadeiro que passei a enxergar a minha necessidade obsessiva por comida (especialmente doces) de uma outra maneira. Meu caso é clássico: a mãe que não consegue amamentar (ou acha que não consegue, que não tem leite suficiente, ou não gosta mesmo de amamentar) tenta dar uma mamadeira à filha, a pequena Adrianinha. Mas esta sabiamente o que faz? Rejeita! Existe coisa melhor do que o peito da mãe quando somos bebês? A mãe espertamente adoça o leite com um pouco de açúcar! Pronto! Danou-se! 35 anos depois e o que temos? A criatura aqui que vos escreve absolutamente viciada em açúcar!
E o mais interessante da história é que, no meu caso, a relação comida-amor realmente se estabeleceu pois minha mãe sempre muito ocupada, não tinha muito tempo para me dar a atenção que eu precisava. Apenas na hora das refeições!
Chegando cansada do trabalho? Que tal fazer um brigadeiro e comer com colher? Brigou com o namorado? Nada melhor que uma taça dupla de sorvete com chantilly! Sentindo-se só? Nada melhor que uma lata de leite condensado para acompanhá-la.
Para a autora, o ato de comer compulsivamente e a obsessão na contagem de calorias servem apenas para mascarar sentimentos não revelados. Ela recomenda algumas diretrizes para acabar com a obsessão: 1) coma sentado num ambiente calmo, o que não inclui o carro; 2) coma sem distrações – distrações incluem rádio, televisão, jornais, livros, músicas ou conversas intensas ou excitantes; 3) coma o que o seu corpo quer; 4) coma quando tiver fome; 5) coma até ficar satisfeito; 6) coma com alegria, gosto e prazer; 7) coma como faria na presença de outras pessoas.
O mais interessante, contudo, é o que a autora propõe para se livrar do mal. Primeiramente, é preciso reconhecer o problema e conscientizar-se de sua origem, o que o trouxe à tona, em que momentos esta obsessão aparece e fazer maciço investimento em outros prazeres, para que estes possam “substituir” aquele. Em segundo lugar, ela sugere, como mostram as diretrizes, que se coma tudo o que se quiser e der vontade pois a maioria das pessoas obsessivas por comida armazena o sentimento de que é preciso comer tudo até acabar, até não poder mais pois, sabe-se lá quando será possível fazer isso de novo (no dia seguinte, chegando do trabalho, nós sabemos!). E só depois, será possível limpar a mente desta obsessão por comida!
Como é que é? Comer tudo que quiser até não poder mais?
Estaria a autora sugerindo o suicídio para quem é viciado em comida?
Bom, de qualquer forma, ela usa argumentos bem fortes (leia um trecho do livro abaixo) para justificar tal recomendação e eu sugiro fortemente a leitura de Mulheres, Comida e Deus para quem se interessa pelo assunto.
Segue um trecho do livro:
Não se trata do peso. Na verdade, nada a ver sequer com comida
Alguns anos atrás recebi uma carta de alguém com uma faixa dos Vigilantes do Peso que dizia: "PERDI QUATRO QUILOS". Logo abaixo dessa frase, ela escreveu: "E ainda me sinto uma droga!"
Nós pensamos que nos sentimos péssimas por causa do peso. E como as juntas e joelhos doem, e não conseguimos caminhar três quarteirões sem perder o fôlego, é provável que estejamos péssimas fisicamente. Mas se passamos os últimos cinco, 20, 50 anos obcecadas com os mesmos cinco ou dez quilos, há mais alguma coisa errada. Algo que não tem nada a ver com peso.
Minha amiga Sally foi a um casamento na Finlândia alguns anos atrás e encontrou uma prima distante que estava furiosa comigo. A prima disse que havia lido meus livros, seguido minha abordagem e engordado 45 quilos. Ela me considerava uma charlatã, uma impostora, uma pessoa desprezível. Eu não a culpava. Se eu engordasse 45 quilos acreditando que estava seguindo conselhos de um especialista, também iria querer estrangulá-la. Humanamente, é claro, e com o mínimo possível de dor. Mesmo assim, estrangulá-la. Afinal, foram 45 quilos! Minha resposta para a prima de Sally foi dizer, da maneira mais gentil possível - e com a segurança de milhares de quilômetros de distância entre nós - que eu percebia que ela achava que estivesse me ouvindo, mas eu não defendo que se deva comer por razões emocionais. E engordar 45 quilos significa isso.
A maioria das pessoas fica tão feliz em ler e ouvir alguém cuja abordagem não é centrada na perda de peso, que toma isso como uma licença para comer sem qualquer restrição. "A-há!", elas dizem. Finalmente alguém entende que não tem nada a ver com peso. Nunca teve nada a ver com peso. Não tem nada a ver sequer com comida. "Ótimo", dizem, "Vamos comer. Muito. Não precisamos parar."
A verdade é que não tem nada a ver com peso. Nunca teve nada a ver com peso. Quando se descobrir uma pílula que permita às pessoas comerem o que quiserem sem engordar, os sentimentos e situações que tentaram evitar com comida ainda estarão lá e elas encontrarão outras maneiras inventivas de se anestesiar. No filme "O Feitiço do Tempo", quando percebe que não vai engordar mesmo que coma milhares de tortas, Bill Murray come como se não houvesse amanhã (pois, no filme, não havia). Mas o desafio se dissipou assim que ele percebeu que poderia ter tanta comida quanto quisesse sem as consequências habituais. Quando não existe o desafio, tudo o que sobra é um pedaço de torta. E quando você termina a torta, aquilo que não tinha nada a ver com a torta - mas o que o levou até ela, ainda está lá.
No último ano, recebi cartas e trabalhei com alunas que tinham: Hipotecado suas casas para pagar por cirurgias gástricas e depois recuperaram o peso que haviam perdido;
Emprestado dinheiro - uma boa quantia - de algum parente para fazer uma lipoaspiração para depois descobrir que ainda odiavam suas coxas;
Perdido 40 quilos e estavam tão decepcionadas com o fato de isso não ter resolvido seus problemas que recuperaram os quilos perdidos. E mais.
Não tem nada a ver com o peso. Se descobrissem uma droga que lhe permitisse comer o que você quisesse sem engordar, você encontraria outras maneiras mais criativas de continuar ignorando suas crenças fundamentais. Ou você sente vontade de acordar ou sente vontade de dormir. Ou quer viver ou quer morrer. Não tem nada a ver com peso. Mas também, não é que não tenha nada a ver com peso. Porque a realidade do peso e suas consequências físicas não podem ser negadas. Algumas das pessoas que participam dos meus retiros não conseguem sentar-se confortavelmente em uma cadeira. Elas não conseguem subir por um caminho com pequena inclinação sem sentir dor. Os médicos dizem que correm risco de morrer a menos que percam peso. Precisam fazer cirurgias nos joelhos, nos quadris, cirurgias gástricas. A pressão sobre o coração, rins e juntas é demais para que o corpo possa funcionar corretamente. Por isso tem a ver com o peso na medida em que o peso atrapalha as funções mais básicas, impedindo que façam coisas, que se mexam, que sintam.
A realidade da epidemia de obesidade - 75% dos americanos estão acima do peso - tem recebido ampla cobertura da imprensa. As intermináveis estatísticas, as novas drogas que estão sendo descobertas, a possibilidade de um gene da obesidade - tudo isso está ligado à questão do peso. Ninguém discorda do fato de que estar 40 quilos acima do peso é fisicamente desafiador.
Ainda assim, a questão é que, não importa se a pessoa pesa 70 ou 150 quilos, se ela come mesmo que não esteja com fome, está usando a comida como droga.Está lidando com tédio, doenças e perdas, dor, vazio, solidão, rejeição. A comida é apenas o intermediário, o meio para chegar a um fim. Para alterar as emoções, para deixá-la entorpecida, para criar um problema secundário quando o problema original fica muito desconfortável, para morrer lentamente em vez de enfrentar a vida atrapalhada, surpreendentemente curta. Acontece que o meio para chegar a esse fim é a comida, mas poderia ser o álcool, o trabalho, o sexo, ou crack e heroína. Surfar na internet ou falar ao telefone.
Mas por uma infinidade de motivos nós não entendemos completamente porque (genética, temperamento, meio-ambiente) aqueles que comem compulsivamente escolhem a comida. Não é por causa do gosto. Não é por causa da textura ou da cor. Queremos quantidade, volume. Precisamos de muito para ficarmos inconscientes. Para apagar o que está acontecendo. A inconsciência é que é importante, não a comida.
Às vezes as pessoas dizem: "Mas eu gosto do sabor da comida. Na verdade, eu adoro o sabor! Não estou tendo uma relação íntima, não estou sendo tocada regularmente, não estou sendo massageada. A comida é meu único prazer. Por que não pode ser simples assim? Como demais porque gosto do sabor".
Mas...
Quando você gosta de alguma coisa, presta atenção a ela. Quando gosta de algo - de verdade - dedica algum tempo a isso. Você sente vontade de estar presente o tempo todo.
A compulsão por comida não leva a esse sentimento. Você come e engole e sente um mal estar tão grande, que não consegue pensar em outra coisa além do fato de estar cheia. Isso não é amor; isso é sofrimento.O peso é um subproduto. O peso é o que acontece quando você usa a comida para nivelar sua vida. Mesmo com juntas doloridas, não tem nada a ver com a comida. Mesmo com artrite, diabetes, pressão alta. Tem a ver com a vontade de nivelar sua vida. Tem a ver com o fato de você ter desistido sem dizer isso. Tem a ver com sua crença de que não é possível viver de outra forma - e você está usando a comida para botar isso pra fora sem ter de admitir.
Quem me conhece melhor sabe que eu não sou nem um pouquinho fã do nosso povo brasileiro. Não tenho nenhum receio ou vergonha em dizer isso. Apenas pesar! E a cada dia que passa eu fico mais cansada de conviver com meu povo. Não sei se porque fui criada por pais europeus e talvez as minhas referências tenham sido outras ou se pela minha personalidade caracterizada pelo meu senso de justiça e de civilidade que sempre foram importantes para mim. O fato é que a cada dia que passa eu fico com menos vontade de conviver com brasileiros.
Acho que a mídia tratou de romantizar a imagem do brasileiro como alguém solidário, sempre pronto a ajudar o próximo, o perfeito cristão! Mas o que vejo nas ruas são pessoas mesquinhas e egoístas que só pensam em ganhar vantagem, tentando ser melhores do que os outros.
O brasileiro se acha muito superior quando consegue furar uma fila, quando não dá passagem no trânsito, quando seu filho chega antes dos amiguinhos na escola porque ele passou o sinal vermelho, costurou no trânsito e estacionou em fila dupla para parar mais próximo do portão da escola.
Que povo é esse que precisa fazer coisas tão medíocres, colocando muitas vezes sua vida e a dos outros em risco, para se sentir bem, superior, melhor? Que povo é esse que é conhecido pelo famoso e tão paparicado “jeitinho brasileiro”, essa coisa horrorosa que nosso povo inventou para burlar as regras da nossa sociedade?
Que povo é esse que utiliza vaga de estacionamento de idoso e deficiente sem o ser, que prefere colocar o filho em uma escola ruim para conseguir sobrar dinheiro para comprar um carro do ano, prefere comprar roupas de marca famosa do que pagar um bom plano de saúde para sua família, suja suas ruas e seus rios, transita no acostamento, não devolve o que não lhe pertence, sonega impostos, coloca água oxigenada no leite, engana doentes de câncer com remédios falsificados, descarta seus idosos como se fossem lixo, gasta milhões com o Carnaval ao invés de investi-los em saúde e educação?
Estou cansada da falta de educação no trânsito, de ficar esperando as pessoas que estão sempre atrasadas para os compromissos que marcaram comigo, dessa falta de espírito coletivo, da pequenez dessas almas que vivem 24 horas por dia tentando tirar vantagem de tudo e de todos!
E quanto mais viajo para fora do país mais percebo que preferiria um povo mal humorado (como os franceses), frio (como os ingleses, os alemães) mas que agisse verdadeiramente em favor de seu povo, tendo atitudes diárias de respeito ao coletivo do que este caloroso, alegre e afetuoso povo brasileiro que tenta me passar a perna todos os dias, que parece ler na minha testa: “Sou uma idiota. Me engane!”.
E ai de mim se quiser cobrar meus direitos! Os órgãos públicos não moverão uma palha para me ajudar e se eu quiser cobrar meus direitos pessoalmente, sabe-se lá o que pode acontecer a exemplo do que houve aqui em minha cidade, há poucos meses noticiado pela imprensa, com um cidadão cadeirante que foi pedir justificativas para o Sr. Delegado que estacionou o carro na vaga de deficiente da rua (sem o ser) e levou uma coronhada na cabeça!
Este ano eu poderia celebrar, se isso fosse digno de celebração, 30 anos roendo as unhas!
Acreditam?
Acreditem ...
Vasculhando meus documentos históricos cerebrais (ou seja, até onde me recordo) tudo começou aos 6 anos, querendo imitar meu irmão Eduardo ...
Bom, a vontade de querer imitar alguém querido aliada a uma grande ansiedade e agitação, já bastante presentes na pequena Adrianinha, resultaram neste horrendo fato: três décadas roendo as unhas.
É preciso que eu diga que destes 30 anos, em dois deles eu não pude roer as unhas, em 2002 e 2003, graças a minha ortodontista. Quero dizer, quando usamos um aparelho ortodôntico, torna-se impossível roer as unhas. Pura sorte pois no meu casamento minhas unhas estavam maravilhosas!
Este vício detestável sempre foi um problema pra mim porque ele traz problemas de saúde bem chatinhos, como freqüentes diarréias. Naturalmente, nossas mãos estão entre os locais mais sujos de nosso corpo (assim como a boca e o umbigo – pasmem!). Mas o problema tornou-se ainda maior quando minha filha Isabela nasceu há 3 anos e desde então venho tentando como nunca me livrar deste vício pois não quero que a história se repita. Mas nunca foi tão difícil e infelizmente, ela de vez em quando já coloca a mão na boca, especialmente quando está em frente à TV.
Pesquisando um pouco sobre o assunto descobri que o nome dado ao hábito de roer unhas é onicofagia e que trata-se de um hábito compulsivo de ordem emocional: ansiedade, angústia, falta de segurança e timidez são os sentimentos associados ao problema e que na maioria dos casos, o hábito começa na infância (por volta dos 3 anos), principalmente em famílias onde os adultos não dão muito espaço para que as crianças manifestem suas próprias opiniões ou digam o que querem.
Entre os tratamentos estão a terapia comportamental que auxilia na reversão do hábito com técnicas para desacostumar o indivíduo a levar a mão ou o pé até a boca, medicamentos como antidepressivos, antipsicóticos e vitaminas do complexo B, técnicas de relaxamento, exercícios físicos e respiratórios e ainda terapias de aversão ao hábito que utilizam substâncias de gosto ruim sobre as unhas ou a substituição das unhas por algum outro objeto ou substância. De todos estes eu só não testei os medicamentos, todo o resto já foi experimentado e nada funcionou!
Mas a esperança é, de fato, a ultima que morre ... pois ela me acompanha todos estes anos.
E vocês? Possuem algum péssimo hábito? Como isso afeta suas vidas? Querem compartilhar?