domingo, 3 de julho de 2011

Irmão, Cachorro e Natação



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Quando era criança Mulher Maravilha interpretada por Lynda Carter era minha personagem favorita (juntamente com o Patinho Feio).
Minha melhor amiga que era também minha melhor amiga de infância, a Andréa e eu adorávamos brincar que eu era a Mulher Maravilha e ela Isis (alguém se lembra de Isis,  o seriado?).





Havia na vila em que eu morava uma casa bem grande em cuja enorme janela da sala de estar havia uma gigante grade verde escura. Ao sinal do menor perigo Mulher Maravilha e Isis corriam e escalavam a grade e tudo o mais que fosse necessário para pegar o terrível bandido que ameaçava uma inocente moça. Eu fico pensando o que a elegante artista plástica que morava naquela casa achava dessa situação, mas ela nunca reclamou!

Qual não foi minha surpresa quando depois de bem grandinha, me sinto pressionada pela sociedade na qual vivo em personificar a Mulher Maravilha.

Minha filha nasceu por escolha, eu não me senti pressionada para ser mãe pois a vontade de vivenciar a maternidade apareceu tardia mas espontaneamente. Porém há inúmeras mulheres que são massacradas porque não querem ser mães! E quando são, tem de brincar de Mulher Maravilha pois são pressionadas a terem, “pelo menos”, um segundo filho e um cachorro!!!!

Há um mito de felicidade mais especificamente da classe média de nossa sociedade que fica martelando pais e mães. Trata-se da engessada idéia de que é crueldade pais não darem a seus filhos um irmão e “pelo menos um cachorrinho”.
Minha amiga Ana desesperadamente tenta me convencer de como um cachorro nos fará mais felizes. Várias amigas e conhecidas nos olham com surpresa quando dizemos que Isabela será filha única.
Ficam horrorizadas porque eu não falo Inglês com Isabela, apesar de saber de todas as possibilidades que sua pequena massa cinzenta apresenta para aprender e apreender uma segunda língua.

A gente se sente cometendo um crime!

Quando digo que Isa cuida de quase 30 peixinhos aqui em casa isso não é sequer levado em consideração já que “peixes não interagem com seres humanos”. Quem disse? Nossos peixinhos sabem quando somos nós que estamos nos aproximando do aquário pois reagem de uma maneira totalmente diferente com estranhos.

Mas entendo as preocupações.

 Li diversos artigos que falam sobre os benefícios que um pet pode trazer a uma criança, a importância de se ter um irmão para “aprender a dividir, atacar o egocentrismo natural da criança”.  Sobre a facilidade de as crianças se desenvolverem na primeira infância através de atividades extras como ballet, capoeira e natação.

Sobre filhos únicos há estudos recentes que demonstram que os irmãos não são garantia de melhora da capacidade de socialização de uma criança e nem garantem sua felicidade.

Eu fico aqui pensando  que muitos pais e mães ficam tão preocupados em dar irmãos, gatos, cachorros, periquitos e proporcionar tantas aulas extras quantas forem capazes  a seus filhos que mal tem tempo de investir em sua relação com o parceiro e acabam transformando o ambiente do lar, como muitos dizem, num inferno.

São tantas coisas que deve ficar mesmo difícil manter uma mente sã e um casamento saudável com tantas responsabilidades, tanta gente e animais e tantos afazeres!
Se a preocupação em manter um casamento feliz e filhos bem criados fosse proporcionalmente igual à preocupação com irmãos, pets e natação talvez a nossa taxa de lares desestruturados pelo divórcio ou doentes pelo sofrimento fosse bem menor.

Proponho que pensemos mais simples! 
Que atuemos de forma mais descomplicada.

Respeito todas as pessoas que precisam de tudo isso para serem felizes.
Cada família é um rico universo de variadas escolhas!
Mas há um grupo de pessoas, e isso nada tem a ver com egoísmo, que não querem ter um pet, não estão ansiosas que seus filhos saibam o alfabeto aos 3 anos e sejam fluentes em Inglês aos 6, e não acreditam que a criança será desajustada e infeliz porque não terá irmãos e nunca será chamada de tia ou tio.

Não há regras ou manuais!
Sabemos!

O importante é que cada casal faça as escolhas baseadas em sua verdadeira vontade. Que siga seu coração e seus sentimentos mais puros na hora de conduzir sua relação e a educação de seus filhos.
O que é bom para um casal de amigos, não necessariamente será bom para outro.

E já está cientificamente provado através dos estudos da ciência hedônica que a felicidade: não advém de nenhum objeto, animal ou pesssoa, nem do dinheiro; não depende de fatores genéticos e também não depende de aparência física, boa educação nem juventude.

Vale a reflexão.




Propostas de Leitura:

A ciência de ser feliz - Susan Andrews - Editora Ágora

Nietzsche para estressados - Allan Percy - Editora Sextante

Criando filho único - A recompensa e as oportunidades especiais de relacionamento com seu filho único - Carolyn White - Editora M. Books




12 comentários:

  1. Acho que cada um deve fazer o que deseja sem se sentir pressionado ou massacrado pelo outro. Se assim se sente, o problema está com ele, que precisa da aceitação do outro. Essas pessoas precisam mudar a si mesmas e aceitar as suas convicções independentemente da opinião alheia!

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  2. Tenho 1 irmão - não foi tão bom assim enquanto éramos crianças pois brigávamos muito. No entanto, depois de adultos, o relacionamento mudou e vale a pena.
    Não tive cachorro - tenho um agora mas muitas vezes preferia não ter...
    Acho que você foi direto ao ponto - qualquer que seja a escolha que ela seja baseada "em sua verdadeira vontade e siga seu coração".

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  3. Uma esposa e uma filha. Para mim está excelente! Ambas são maravilhosas e as amo de montão.
    Seja qual for o número de irmãos, nossa filha vai ter que aprender com a vida. Ela vai traçar seu destino e não nós. Eu e minha irmã nunca brigamos e somos unidos e felizes em nossa relação. Foi assim que "escolhemos" traçar nossa história.
    Agora: um cachorrinho, uns 3 passarinhos e uns 30 peixinhos vão bem... Hahaha.
    Beijos!

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  4. Sou filho único, não tive pet quando criança e também não era fluente em outro idioma até os 6 anos. Hoje entendo que o foco lá casa era que eu fosse feliz e tivesse responsabilidades compatíveis com a idade. Sempre respeitaram o meu ritmo tanto que escolhi qual esporte e quando praticá-lo quase aos 14 anos. Nunca me senti infeliz, sozinho ou inferior aos meus amigos que tinham irmãos, gatos, cachorros, roedores... Enfim, se alguém te encher o saco, manda me ligar que resolvo em menos de 1 minuto! E se for em alguma segunda-feira então, melhor ainda... ;-)

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  5. Oi Dri, primeiramente parabéns pelo Blog, estou adorando de montão, muuuuuito legal!
    Lendo o que você postou agora até achei engraçado, pois vivo a situação contraria. Acredita que quando digo para as pessoas que gostaria de ter 4 filhos elas também me julgam? Pois é, todos me perguntam se sou louca... Mas como vc comentou não existem regras ou manuais, cada um deve fazer o que for necessario para ser feliz, seja com ou sem filhos, com ou sem animais rsrs

    Gostaria muito de ter mais filhos, não pq a sociedade impõe, mas sim porque sempre sonhei em ter uma família grande e gostaria muito de ser aquela avó coruja sabe, que em todas as festas de final de ano possa ter minha família reunida cheia de netinhos (como não vou obrigar nenhum filho a me dar netos subconscientemente acredito que tendo 4 filhos se tiver sorte pelo menos um me dará um neto rsrs), que vai cozinhar e fazer biscoitos para agradar os netinhos... Cada um tem um estilo de vida, no meu caso não consigo me imaginar velhinha e sozinha, acho que vou me sentir triste. Por outro lado nós seres humanos mudamos de opinião a todo o tempo, nada é certo, pode ser que lá na frente eu mude de idéia.

    Eu acredito que a dificuldade maior é infelizmente por se tratar de Brasil (opinião pessoal), primeiramente vejo que do lado financeiro, com 2 filhos já estamos apertados, pagamos impostos mas ainda assim temos custos extras com educação, saúde, segurança, etc. Esse é um dos motivos que me influencia na decisão. Concordo com o que vc falou de que quando temos mais filhos devemos exercer o papel de “mulher maravilha”, mas de novo, acho que isso é uma cultura daqui também, pois não existem incentivos para que as mulheres trabalhem por exemplo meio periodo, ou só 3 vezes por semana como em outros países...

    Se queremos continuar nossa vida profissional somos obrigadas a nos desdobrar para dar conta de tudo o tempo todo, muitas vezes não temos tempo para nós mesmas, realmente isso dificulta a nossa vida e se pensarmos bem tudo seria mais simples e fácil sem filhos e/ou animais rsrs Pra mim faria toda diferença poder chegar em casa as 15hs e poder me dedicar mais à minha família... Claro que ter mão de obra barata e domésticas para nos ajudar e é uma boa, mas não é suficiente. Por isso também acho que não posso ter mais filhos, pois não tenho tempo agora e terei menos ainda com outros, não adianta colocar filhos no mundo e se quer ter tempo com eles para coisas simples como brincar ou ler uma história...

    Esse assunto vai longe para todos os casos. De qualquer forma independente de decidir ter filhos ou não isso é uma decisão a ser tomada pela família, não importa o que as pessoas achem ou opinem, cada um cada um, as pessoas são felizes de maneiras diferentes, se tudo fosse igual pra todos a vida não teria graça...

    Bjs para vcs 3!

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  6. Adriana, é assim mesmo....rsrsrsrs ser mãe é ser mulher maravilha, ser esposa é ser mulher maravilha, ter tempo para cuidar disso tudo e ainda mais um cãozinho é ser mulher maravilha, ser feliz com tudo isso é ser MUITO mulher maravilha....srsrsr a única coisa que eu posso te dizer é que (como filha única), às vezes, sinto falta de um irmão mais velho (pra colocar certas pessoas para correr..rsrsrs), mas para aprender a dividir eles têm um monte de amiguinhos na escola, não se preocupe. Um bichinho é uma coisa de Deus (só quem tem e GOSTA,sabe o que estou dizendo), mas é um trabalho a mais e se a criança é muito pequena é uma pena para o animal, que vai sofrer mais do que curtir...rsrsrs. Agora, o que eu posso te garantir é que eles nascem e trazem muitas coisas que a gente não vai conseguir mudar, coisas natas, deles, como facilidade para línguas, por exemplo, mas o mais importante de tudo isso é o amor que vc vai dedicar a eles, isso sim vai fazer a diferença. Por isso ame muito esse presente que Deus lhe deu e não se preocupe, pois no fim tudo dá certo. Bjs

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  7. Viviane Galisteu Maceron14 de julho de 2011 09:13

    Adorei seu blog, seus textos, e principalmente este, porque toca na essência de nós mulheres. Na verdade, ao meu ver, não é ter ou não mais filhos, cães, gatos,ensinar várias linguas, praticar esportes.. a grande verdade é que nõs mulheres nascemos sendo precionadas a a ter, ser, fazer, cuidar, e mais conforme a idade vai chegando ainda temos que não envelhecer. Quer mais?.. Pois é, somos assim; nascemos assim. Mais no fundo gostamos de ser assim, porque o mundo gira em torno de nós. A humanidade depende é muito das mulheres, e acredite nõs gostamos muito disso.Agora quanto aos cães, se quiser eu empresto a Bianca e a Rebeca. OK? Bjs.Parabéns. AH..lembrei se voce quiser visite o site www.vivalle.com.br/oncologia/blog.; lá estão postadas minha crônicas(visão do paciente)

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  8. Pois é... eu e meu marido somos fluentes em inglês (inclusive demos aulas juntas, né Dri???) e algumas pessoas vivem perguntando por que não falamos inglês com ela em casa... Não entendo isso também, comecei a ter aulas de inglês aos 10 anos e me dediquei porque gostava de falar outro idioma... Claro que saber uma outra lingua é importante, mas tudo no seu tempo... Também foi nessa idade que comecei a patinação artistica... e tudo naturalmente, sem pressão, simplesmente por prazer... e pretendo que minha filha (única) possa usufruir dessas atividades, mas não lotando sua rotina (e a minha) de afazeres e sim acrescentando algo que a faça feliz!!!!

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    1. Obrigada por compartilhar sua opinião, Claudia. Bjs

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